Dossiê — Gastos fora do Orçamento: transparência, fundos e risco fiscal

FALHA DE TRANSPARÊNCIA / RISCO FISCAL

Gastos fora do Orçamento: transparência, fundos e risco fiscal

Em 2026, o TCU examinou mecanismos usados para financiar e executar políticas públicas fora dos canais tradicionais do Orçamento Geral da União, da Conta Única do Tesouro e do Siafi. O Tribunal chamou o fenômeno de desorçamentação.

O que o TCU examinou

Entre os mecanismos analisados estavam fundos e estruturas ligados a infraestrutura social, permanência escolar, adaptação climática, desenvolvimento industrial, instituições de ciência e tecnologia e políticas de crédito com participação da União.

Parte desses instrumentos é recente. O FIIS, por exemplo, foi criado em 2024 para financiar infraestrutura social; o fundo relacionado ao Pé-de-Meia também decorre de estrutura criada em 2024; e o fundo para recuperação e adaptação a eventos climáticos extremos passou a ter participação da União autorizada em 2024/2025.

Fonte oficial · TCU · 27/05/2026

Os riscos encontrados

  • Receitas públicas que não passam pela Conta Única nem pelo OGU em determinados arranjos.
  • Capitalização de fundos privados sem trânsito adequado pelos mecanismos orçamentários tradicionais.
  • Execução de despesas típicas da União por fundos públicos ou privados com menor visibilidade orçamentária.
  • Dificuldade de rastrear custos futuros de benefícios creditícios.
  • Risco de enfraquecimento da transparência, publicidade e credibilidade da política fiscal.

Segundo o TCU, determinados arranjos podem criar tensões com regras como a meta de resultado primário e o limite de despesas primárias, além de dificultar a avaliação completa do custo fiscal das políticas.

O que isso prova — e o que não prova

Prova: que existem mecanismos atuais de financiamento público com transparência e rastreabilidade inferiores ao fluxo orçamentário tradicional, e que o TCU determinou melhorias. Não prova: que todo fundo analisado seja ilegal, que todo recurso tenha sido desviado ou que o fenômeno tenha começado exclusivamente no atual governo.

A responsabilidade deve ser atribuída mecanismo por mecanismo. Alguns instrumentos são anteriores; outros foram criados ou ampliados no período 2023–2026.